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abr 18, 2022

Upgrades: A importância de deixar seus equipamentos mais atualizados.

Sabemos dos desafios e da evolução constantes da mineração. Para que isso ocorra, pode ser necessário comprar novos ativos ou reformar os que já estão instalados. Assim, é sempre possível aumentar a eficiência. Todas essas atualizações renovarão os equipamentos ou, ao comprar um equipamento novo, é claro, teremos uma nova forma, uma nova filosofia para encarar os grandes desafios cotidianos na mineração.
Os convidados para debater neste painel foram: Vinícius Souza, Gestor de contas do site da Metso Outotec Brasil; Marcos Theza, Gerente de Manutenção de Plantas de Cátodos de Minera Centinela Chile e também Eric Ruiz, Gerente de Optimização e Desenvolvimento de Processos, Las Bambas Peru. O mediador do painel foi Pablo Darsaut, Gerente Sênior de Contas Estratégicas da Metso Outotec Brasil.

Em termos econômicos, quais os fatores determinantes para a decisão de comprar um novo equipamento ou de reformá-lo?

Marcos Theza: Agradeço muito a oportunidade. Primeiramente, é preciso entender que a mineração é um negócio, por isso, é preciso analisar o custo-benefício de renovar um equipamento ou fazer ajustes. Nisso, há alguns fatores que devem ser considerados: o tempo de resposta de um equipamento antigo, a confiabilidade que se espera desse equipamento. Além disso, qual a estratégia e a situação dessa empresa de mineração em específico.

Por exemplo, o cátodo no Chile, de 2003 a 2020, teve uma variação em sua produção total entre 1,7 milhão em 2003 e 1,5 milhão agora. Tudo isso em cátodos. Portanto, nesse setor, é preciso analisar bem se a estratégia de renovar um equipamento se pagará. Ou seja, conforme os lucros que se tem com o negócio. Logo, é uma questão estratégica.

Por outro lado, se quiser aumentar a confiabilidade, é preciso saber se o uso dessa planta está prejudicado pelos coeficientes de eficiência. Porque pode haver aí uma oportunidade. Também é preciso considerar a obsolescência, o quanto se está disposto a arriscar, pois com isso se assume um risco.

Por fim, há um aspecto que implica manter um ativo antigo: a mão de obra qualificada para poder fazer a manutenção. Há variações entre um equipamento novo e um antigo, porém, também devemos considerar esse como um recurso escasso, complexo no mundo atual, especialmente no Chile.

Eric Ruiz: Acredito que depende muito da necessidade da empresa, do objetivo e do tipo de processo. Muitas vezes, fazer um upgrade de um equipamento antigo não nos dá a garantia de que o equipamento terá uma vida útil maior ou que será mais eficiente. É preciso avaliar outros detalhes sumamente importantes e estar bem alinhado aos objetivos da empresa, bem como avaliar o custo-benefício.

Está claro que hoje os equipamentos novos têm maior tecnologia e, portanto, são mais eficientes em termos de energia e produção. Então, a pergunta seria: quando for preciso fazer um upgrade, ele é realmente necessário? Vale considerar outras variáveis, como o tempo de execução do equipamento, a disponibilidade, o uso, bem como revisar com mais atenção o benchmarking antes de decidir por uma mudança completa ou pelo upgrade.

Vinícius Souza: Quando falamos em aquisição de novos equipamentos ou na renovação de um ativo existente, é necessário fazer uma avaliação muito criteriosa dos aspectos técnicos e econômicos do projeto. Portanto, sempre que a reforma é feita por uma empresa de tecnologia ou fabricante do equipamento, dá mais clareza e tranquilidade para definir qual decisão tomar. Quando esse tipo de reforma ou retrofit de equipamentos é realizado junto ao fabricante, o resultado é um equipamento praticamente novo, com garantias muito semelhantes às do equipamento novo.

No entanto, é muito importante avaliar a condição econômica do projeto em relação às expectativas técnicas e associadas do próprio projeto. Qual a real necessidade do projeto? O prazo de entrega? O prazo de entrega? Como concatenar isso?

Ao ter uma solução com prazo de entrega e volume financeiro a ser gasto na aquisição de novos equipamentos, você também terá, em outra frente, algo que mostra que é tecnicamente possível renovar e qual será o volume financeiro. Equalizar isso por meio da análise de compensação, avaliada em relação às expectativas do projeto, irá defini-lo. Ou seja, é possível e necessário fazer a avaliação, mas todos os casos devem ser avaliados em todos os projetos para dar clareza no cumprimento dos objetivos do projeto.

Basicamente, é isso. Quanto aos fatores diretos que afetam essa situação, eles estão diretamente relacionados ao estado técnico do equipamento. É necessário avaliar as condições estruturais, eletromecânicas, de automação e segurança. Isso ocorre porque os requisitos de segurança de 10 anos atrás não são mais os mesmos de hoje. Hoje, as exigências são diferentes. É possível impor as demandas atuais a esse time antigo?

Esta é uma pergunta que deve ser feita em todos os momentos ao interpretar a análise técnica. Após a etapa técnica, é possível ter um escopo definido do que precisa ser feito para implementar a reforma e, consequentemente, com esse valor financeiro em mãos, é possível compará-lo com a entrega de novos equipamentos. Com isso, somando os dois, é possível concatenar as informações de forma que mostre claramente os prós e contras, as vantagens e desvantagens, o equilíbrio financeiro e o impulso das expectativas do projeto. Por exemplo, se temos um equipamento novo cujo prazo de entrega é de 180 dias, e as demandas do projeto, da operação, da produção, do mercado, tornam necessário ter um equipamento com essa nova capacidade ou condição em 45 dias, e é possível fazer todo esse trabalho através de uma reforma em 45 dias, naturalmente, a decisão não passará apenas pelo crivo econômico, pois o técnico já foi superado.

Ambos podem entregar, mas agora não é mais econômico. Vamos passar para o aspecto de execução, qual é o prazo de entrega. Em suma, tudo isso colaborará para a tomada de decisões e clareza para avançar no projeto.

Como você vê as novas tecnologias de automatização e monitoramento que podem ajudar a dar um upgrade aos ativos existentes. E por quê?

Marcos Theza: A tecnologia sempre é um benefício para a elaboração, e o monitoramento é uma parte muito importante. Porém, o monitoramento só faz sentido quando gera um melhor uso do equipamento ao fornecer dados que nos permitem tomar decisões e também gerenciar a variabilidade do processo. Portanto, o monitoramento, o monitoramento on-line do qual tanto se fala, traz benefícios para o equipamento. Isso porque ele gera um melhor aproveitamento produtivo do equipamento, mas levando em consideração isso que eu falei.

No entanto, ter um monitoramento sem uma gestão dele não é algo que agrega valor. Portanto, o que buscamos por meio do monitoramento ou da automatização é a geração de maior vida útil aos componentes, ao equipamento, tornar o processo previsível. Isso é fundamental, pois isso implica que a produção de toneladas por hora desse equipamento se manterá em uma faixa constante. Isso nos permite cumprir nossas metas de produção, além de cumprir as pautas, a frequência fixa ou dada por desgaste, levando a um melhor desempenho, algo que dê informações sobre a produção diária conforme o plano de produção. Sendo assim, a tecnologia, a automatização, o monitoramento dos equipamentos são fundamentais para aumentar a vida útil e gerar maior benefício para o negócio, quando bem gerenciados.

Eric Ruiz: Se pensarmos sob o ponto de vista da gestão, dividiremos isso em dois: a gestão de processo e a gestão dos ativos, a parte mecânica.

Como gestão de processos, a automatização dos processos nos permitirá obter informação e dados, algo muito importante para que possamos analisar e tais dados nos ajudem na otimização do processo, tornando-o mais eficiente tanto no uso do equipamento quanto em sua disponibilidade.

Se falarmos no gerenciamento do ativo, há um ponto muito importante a ser analisado: não necessariamente podemos automatizar todo um sistema para monitoramento. É possível, por exemplo, trabalhar com as falhas repetitivas para que sejam controladas e saber em qual momento ocorrerão, dando maior confiabilidade ao equipamento.

Há um exemplo muito interessante. No Peru, há plantas já antigas na operação e elas podem ser automatizadas, receber tecnologias, porém de forma modular. As plantas antigas nasceram com uma tecnologia antiga, o que dificulta um pouco esse processo de automatização.

Logo, chegamos novamente ao ponto de que colocar a tecnologia e a automação trará custo-benefício, considerando ainda o objetivo da empresa acerca de seus planos, orçamentos etc. Trata-se de algo muito interessante ver como hoje as transformações estão ocorrendo na mineração. Estamos presenciando uma transformação digital bem agressiva, o que permitirá que controlemos facilmente os processos e também melhorá-los com bem mais rapidez.

Vinícius Souza: É ótimo chegar em um local e que a internet do nosso celular já esteja conectada, naturalmente, sem exigir nenhuma ação. Isso é automação. E no nosso setor isso não é diferente.Quando praticamos automação, ou quando conseguimos implementar uma situação de automação, conseguimos atualizar o equipamento e trazê-lo para uma nova condição, para uma atualização. E esta atualização melhora as condições de operação do equipamento, melhora as condições de segurança. Em suma, consegue levar uma equipe que estava em uma situação anterior, com tecnologia desatualizada, para uma nova situação, sem necessariamente precisar de uma nova equipe.O que gera isso? Por que isso está acontecendo? Com simples substituições de alguns sensores, do ponto de vista de automação e controle, conseguimos alterar essa condição para que, por exemplo, para a operação, seja possível obter um monitoramento preventivo, ou seja, um controle preventivo mais eficaz. Ao invés de ter um controle direto, que na época era um controle digital, que apontava como 0 e 1, agora ele é apontado em range, ou seja, trabalha com a câmara de enchimento do britador de 0 a 100. A operação é diferenteCom isso, proporcionamos mais confiabilidade à operação. Em outras palavras, é possível levar uma equipe de uma época para outra. Nessas condições, também é possível propor um monitoramento preditivo do equipamento. Utilizando tecnologias de Big Data, Data Science, tecnologias de inteligência artificial, associando todas essas tecnologias, começamos a ver, analiticamente, a tendência de falha de um equipamento, de uma operação. Como se faz? Simplesmente substituindo a tecnologia de controle e automação desatualizada por uma atual. Nessa situação, é possível melhorar a equipe como um todo. Então esse é um exemplo bem básico que usamos o tempo todo, onde temos uma condição preventiva direta na área operacional e remotamente através de previsão que trará confiabilidade na operação do equipamento. É perfeitamente possível usar a automação para melhorar as equipes. É até muito legal usar essa tecnologia.

Como está a mineração em relação a aceitação da inovação e de novas ideias?

Marcos Theza: A inovação é uma missão bastante estratégica. Algumas empresas têm exemplos interessantes, inclusive tendo ela como parte de um pacote de valores de inovação. A mineradora Amritsar, por exemplo, tem como propósito criar uma mineração pensando num futuro melhor. Portanto, a palavra “futuro” fica implícita. E a inovação está muito relacionada ao futuro.

Aqui temos várias coisas. Primeiro, a inovação, nesse ramo, busca criar um valor. Poderíamos falar em qual é a curva de valor que gera esse negócio. Há várias coisas como, por exemplo, a inovação relacionada ao planejamento da mina, com dinâmicas inteligentes e novos modelos. Na mineração, as minas propriamente ditas estão optando por equipamentos autônomos. Por exemplo, na Centinela temos um plano de equipamentos autônomos tanto para caminhões quanto para perfuratrizes. Isso está avançando bem e esperamos ter bastante sucesso com isso.

Também nas plantas estamos vendo a automatização da operação. Nesse aspecto, temos um projeto grande chamado GIO (Gestão Integrada de Operação) no qual transferiremos boa parte dos operadores da planta para a cidade, nesse caso em específico seria em Antofagasta, e operaremos a maioria das plantas da empresa de forma remota; algo que será bem desafiador.

Esses são alguns exemplos das nossas inovações.

A gestão de DATA também é importante e já fora mencionada. Todos devem concordar que o valor dos dados é alto. Porém, Big Data, Machine Learning são ativos que, se soubermos gerenciar, abrirão muitas possibilidades por meio da análise dos dados.

Por exemplo, os caminhões autônomos se comparados aos convencionais, requerem, sem dúvida, maior investimento e maior complexidade no início, porém geram bem menos acidentes, têm maior produtividade e também possibilitam uma mudança das pessoas para que realizem novas tarefas.

Portanto, isso está gerando elementos diferentes de inovação, tanto pelos próprios equipamentos, ao fazer as coisas de forma diferente, quanto à transformação das competências e talentos das pessoas que passarão a variar sua forma de interagir na planta ou na mina.

Logo, acredito que a inovação já é parte importante da mineração. Acredito que nos permitirá sermos produtivos e também manter controlados os custos unitários.

A realidade do Chile é que, em 2020, produzimos cerca de 5,7 milhões de toneladas entre todas as minerações. Sendo um valor de tonelagem muito importante. E, para que nos mantenhamos com tais valores, é preciso inovar nossos processos. Há processos produtivos que estão sendo inovados. Sendo assim, acredito que essa seja uma grande oportunidade para nos prepararmos para a mineração do futuro com essa revolução que temos sobre o conhecimento atual.

Eric Ruiz: A mineração está aberta a todos os processos de inovação. Isso é algo que temos observado nos últimos anos com as novas tecnologias que estão sendo incorporadas, como os caminhões autônomos, os Centros de Controle Descentralizados, já fora das cidades, também estão guiando essa revolução no Peru.

Isso faz com que as demais empresas de mineração sigam na mesma direção de inovação e desenvolvimento. Aqui, quero destacar algo muito importante: Peru tem como característica a presença de minerais supercomplexos em termos de processamento. Isso também gera uma inovação nos projetos, equipamentos, estratégias. Então, trata-se de uma inovação que, constantemente, ocorre no Peru. Ela também nos levou ao desenvolvimento integral, já com processos de “Mine to Mill”, que já estão ocorrendo há bastante tempo.

Outro ponto que precisamos ter clareza é que a inovação não ocorre somente dentro da parte de processos em si, mas também em aspectos como sustentabilidade, social e ambiental. Isso também precisa ser parte do processo de inovação e revolução tecnológica. Outro ponto seria também a análise de grandes dados, como o Big Data, Machine Learning, de Python, todos esses sistemas novos precisam também ser considerados nessa revolução.

O trabalho de exploração de afloramentos ocultos; os minerais já não estão tão na superfície, estão nas profundezas e precisamos de outras inovações para poder explorar toda essa parte de extração de minerais que requerem outros tipos de estratégias de operação.

Acredito que a inovação está em todo lugar, na América do Sul como um todo. Somos um país bem rico em minerais e, por isso, acredito que a inovação precisa começar a surgir nessa região do planeta.

Vinícius Souza: A mineração tem sede de inovação. As dificuldades e problemas que observamos no dia a dia da planta, da operação, da produção como um todo, todas essas dificuldades e problemas precisam de inovação para serem superados. Basicamente, se tomarmos como exemplo as operações da mina, as operações unitárias, da mina ao porto. Se listarmos tudo isso, onde está a inovação em cada parte desse processo?

É interessante ver, por exemplo, a mina. Nele temos o aplicativo smarttag, e esse aplicativo utiliza o conhecimento geometalúrgico com outra condição associada ao consumo de energia do moinho e ao consumo de energia da quebra de rocha para proporcionar a melhor eficiência do mesmo.Isso é inovação? Certamente é. Colocamos um chip dentro do furo de detonação para ter a rastreabilidade desse material. Quando vamos para a retificação, por exemplo, temos o escaneamento dos revestimentos. Colocamos um equipamento dentro do moinho e assim é possível escanear o padrão do perfil de desgaste do revestimento.

Ainda dentro do moinho, é possível fazer uma análise de partículas. Existe um analisador de partículas que pode analisar o tamanho e o tamanho do grão do material que sai do moinho. Esse tipo de recurso é uma inovação que não se imaginava há pouco tempo e hoje já somos capazes de fazê-lo em nosso setor. Antes de moer, falamos sobre trituração. Hoje, esmagar é algo simples.Mudamos um sistema de automação do equipamento, reformamos, como mencionei, trouxemos para uma nova era de tecnologia através da automação, e conseguimos garantir o tamanho de abertura do britador por mais tempo. Isso é por questões de confiabilidade para produção, confiabilidade da qualidade do produto que será produzido pela equipe. 

Por fim, posso citar vários exemplos de inovação na mineração. Há robótica, drones etc.Um último ponto, algo que foi lançado muito recentemente. Este é um sistema de avaliação de ciclones, CycloneSense. Usando uma tomografia, avalia o diâmetro da bolha de ar no ápice de um ciclone. Desta forma, você pode avaliar se o ciclone está trabalhando em spray, a 120°, ou se está trabalhando em cadeia. Esse é um recurso, para quem opera o ciclone, que todos conhecem e precisam visualizar o ciclone diariamente em campo.

Às vezes quando a gente passa, ou se não dá tempo de passar porque a operação pode estar focada em outra coisa, está com defeito, algo que está contribuindo negativamente para o ritmo de produção e a recuperação do equipamento. Portanto, a partir de uma inovação como essa, é possível fazer uma análise remota, uma análise de tendências, para ver quando vai falhar para antecipar e trabalhar em equipe. Em outras palavras, melhorar a equipe.

Essas entrevistas fizeram parte dos painéis do Fórum Sul-Americano Metso Outotec que reuniu esses e outros importantes profissionais da mineração do Brasil, Chile e Peru. Encerrando as entrevistas, Cristian comenta que não há dúvidas de que estamos vivenciando uma mudança cultural no setor, no qual todos somos responsáveis por assumir um protagonismo e impulsionar essa mudança tão importante. Esse é um ponto crucial para o desenvolvimento da mineração.

 

O vídeo da gravação do painel pode ser visto aqui em nosso canal do YouTube: Upgrades: A importância de deixar seus equipamentos mais atualizados - YouTube

Painel sobre a importância de manter seus equipamentos atualizados durante o Fórum Sul-americano da Metso Outotec. Marcos Theza, Gerente de Manutenção de Plantas de Cátodos de Minera Centinela Chile.
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