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mar 23, 2022

Os principais desafios para a mineração nos próximos 12 meses.

No primeiro dia do Fórum Sul-Americano da Metso Outotec, especialistas discutiram quais dificuldades a pandemia trouxe para a mineração. Também foi discutido sobre projetos futuros e expectativas para os próximos anos no setor.
O painel mediado por Francisco Alves, diretor da Revista Brasil Mineral, conta com a presença do Professor Giorgio de Tomi, Diretor do Centro de Mineração da USP; Roque Benavides, Presidente Executivo da Mineração Buenaventura e Joaquín Villarino, Presidente Executivo do Centro de Mineração.

Quais mudanças importantes ocorreram na mineração na América do Sul durante a pandemia? E quais dessas mudanças devem ser mantidas no futuro?

Giorgio de Tomi: O setor de mineração passou por diversas mudanças nesse período de pandemia, tanto no comportamento quanto nos relacionamentos. Uma mudança importante foi a introdução do trabalho remoto nas operações de mineração. Não me refiro necessariamente ao home office, mas principalmente remoto, na frente de mineração, o trabalho remoto nas frentes de atendimento. Temos alguns exemplos como a popularização do trabalho em centros integrados de operações e o próprio exemplo da Metso Outotec, o centro de desempenho, junto com todos os centros integrados de operações das grandes empresas. Isso mostra que muitos trabalhos de mineração podem ser feitos remotamente.

Outro exemplo é o avanço em relação a serviços de manutenção de equipamentos, onde os gerentes de manutenção da mina podem trabalhar de forma integrada e remota com especialistas de diferentes partes dos componentes dos equipamentos, trabalhando de forma síncrona, mas remotamente.

Por fim, um aspecto que eu gostaria de chamar atenção: houve resistência por parte das mineradoras, em alguns casos, em usar o compartilhamento de arquivos na nuvem, mas durante a pandemia essas limitações foram superadas e hoje essa forma de compartilhamento é utilizada diariamente.

Então, na minha opinião, essas mudanças farão diferença na indústria de mineração.

Roque Benavides: Acredito que a onda digital chegou mais cedo no mundo. Já não estamos mais discutindo se haverá ou não revolução digital. A pandemia fez com que adquiríssemos hábitos que permanecerão. Definitivamente, para nós que trabalhamos na indústria da mineração, na qual as unidades de mineração ficam tão isoladas, especialmente no Peru, nas regiões altas dos Andes, a comunicação digital contribui para que possamos ficar bem mais próximos entre nós, mesmo que possa parecer impossível.

Hoje, as comunicações, inclusive os monitores utilizados, nos ajudam a acompanhar as operações e conseguir manter a eficiência. Acredito que a sustentabilidade citada pela ONU também fica mais clara, em termos de cuidar do meio ambiente, permanecer mais próximo das comunidades para o desenvolvimento social. E, sem dúvida, tudo isso leva a uma maior eficiência.

Acredito que a Era Digital chegou mais cedo devido à crise gerada pela pandemia que enfrentamos no Peru, e também em outros países, com a perda de muitas vidas. No entanto, ficou uma lição, e deveremos levá-la conosco. Acredito que os drones, o monitoramento à distância, os veículos autônomos chegarão bem mais cedo do que imaginávamos.

Acredito que houve um impulso para que passássemos a utilizar todas essas ferramentas digitais, tudo graças à pandemia.

Joaquín Villarino: Acredito que nosso maior desafio hoje esteja ligado a uma forma de trabalhar diferente do que fazíamos até então. A pandemia impôs, de certa forma, a obrigação de trabalhar com menos pessoas por maiores períodos. Isso demonstrou, primeiramente, que é preciso haver uma profunda cultura de cuidado e segurança dentro da indústria, pois essa indústria continuou trabalhando durante toda a pandemia. Na verdade, a produção em 2020 foi praticamente a mesma daquela registrada em 2019, apesar das reduções de pessoas que podiam estar nos espaços de mineração.

Isso também acelerou alguns processos que já estavam sendo desenvolvidos no setor. Esses processos estão vinculados à automação na indústria, a incorporação de novas tecnologias, o trabalho remoto, o fortalecimento dos Centros Integrados de Operação. Tudo isso demonstrou algumas coisas. A primeira é que se trata de uma indústria bem tecnológica, depois é o enorme desafio que temos em busca de novas competências para os nossos funcionários e, por fim, a grande oportunidade que se abriu para que mulheres e jovens possam se integrar a essa indústria, setor no qual enfrentamos grandes desafios.

Tudo isso porque teremos regimes de trabalho diferentes, pessoas trabalhando em locais mais distantes da mineração. Algo que fará com que alteremos os turnos convencionais por sistemas de trabalho mais favoráveis à rotina familiar e que, portanto, permitam que os jovens e as mulheres façam parte da equipe. Esse é um dos grandes desafios enfrentados pelo setor.

Portanto, uma indústria segura, que oferece bons postos de trabalho, que enfrenta as adversidades e segue desenvolvendo-se, que está incorporando mais tecnologias, maior velocidade para enfrentar os grandes desafios que o século 21 está trazendo para a indústria.

Qual o principal desafio de mineração nos próximos 12 meses?

Giogio de Tomi: Pesquisas recentes com especialistas do setor de mineração colocaram a questão ESG no topo da lista de desafios da mineração. As relações com a comunidade, as questões ambientais, todas as questões de gorvernança associados à mineração são prioridades quando se discute o papel da mineração na sociedade. O processo de amadurecimento da questão ESG, na mineração de grande porte, já está bem estabelecido, diferente da mineração de médio porte e principalmente na mineração de pequeno porte, que ainda está em sua fase inicial.

Aqui no Brasil, isso tem uma dinâmica muito importante, porque 87% dos títulos minerários são de micro e pequena mineração. Se somados também os títulos do meio mineiro, o total aproxima-se de 98% dos títulos mineiros. Portanto, acredito que o principal desafio é provocar e desencadear esse processo de amadurecimento de incorporação das questões ESG no cotidiano das tomadas de decisão na mineração.

Na minha experiência, uma das maneiras de abordar esse problema é enfatizar o fechamento de minas no contexto do que vem depois da mineração, não apenas a reabilitação da terra mas também a transição socioeconômica das comunidades e o uso futuro do território e alinhá-lo com a Agenda 2030 da ONU dentro da questão da sustentabilidade.

Roque Benavides: Está claro que o tema ambiental não é restrito à Mineração, mas está ligado a todos os setores. Há muitas publicações sobre como conseguir que, em 2030, não haja mais emissão de gases de efeito estufa. E isso é muito importante, mas no caso da mineração, acredito que deveríamos nos preocupar principalmente com a água. Porque é a água que vincula, em termos ambientais, a mineração, a agricultura e a agropecuária. Especialmente no Peru, onde há um excedente de água, embora as pessoas reclamem dizendo que a mineração consome muita água, algo que não é verdade.

O tópico de governança e eficiência é fundamental e competimos, na Mineração, com os nossos custos. A indústria da mineração é uma indústria que herda os preços e, portanto, não temos qualquer influência nos preços dos metais que produzimos. Porém, podemos influenciar nossa eficiência e nossos custos. Nisso, a Era Digital pode contribuir com a redução de custos, tanto para a grande quanto para a média e a pequena mineração.

Acredito que hoje a tecnologia está mais próxima da indústria da mineração, especialmente da pequena e média, que provavelmente não podem investir tanto em pesquisa.

Sem dúvida, também o aspecto social que une as duas coisas: economia e meio ambiente, de forma a ser, em longo prazo, muito mais sustentável. Para que assim, possamos ser vistos como uma indústria eficiente, tecnologicamente avançada e que inova constantemente.

Joaquín Villarino: Acredito que hoje, os maiores desafios após a pandemia estão ligados ao fato de o país estar mergulhado numa discussão política e constitucional profunda. E tal discussão terá como consequência muitos desafios, especialmente quanto à sustentabilidade. A preocupação generalizada entre os jovens e adultos com o cuidado com o meio ambiente, o aquecimento global e todas as imposições que estão recaindo sobre nós, como a mudança de paradigma e, evidentemente, na nossa forma de condução influenciam, sem dúvida, o desenvolvimento da mineração.

Por isso, acredito que no pós-pandemia teremos que nos aprofundar em algo que já estávamos desenvolvendo, e como incorporamos o conceito de desenvolvimento sustentável na Constituição e como tal conceito poderá influenciar, de certa forma, o desenvolvimento de toda atividade econômica, em geral, da mineração, em particular.

Como nos comunicar de forma significativa com as comunidades e os povos originários? Como integrar mais mulheres? Como levar mais renda para as regiões? Acreditamos serem esses os desafios que, de alguma forma, o setor de mineração está enfrentando para poder continuar sendo um dos motores do desenvolvimento do país. Para continuar sendo um dos motores que permite melhorar a vida de milhões de chilenos. Para cada 100 dólares gerados nessa indústria, praticamente 80 são usados para gerar atividade econômica, por isso, é uma locomotiva que puxa o crescimento e gera um impacto que vai muito além da atividade de mineração, estendendo-se a outros setores de atividade econômica do país.

Houve desafios enormes durante a pandemia e haverá após a pandemia. E estes desafios nos deixaram com tarefas para realizar, e também com tarefas para serem aprofundadas, uma vez que a mineração não é algo novo e já está há mais de uma década trabalhando em busca de eficiência no consumo de água, de eficiência energética, na incorporação de novas tecnologias com tanques de rejeitos, na integração de energias limpas, para que estas sejam o principal motor do país, para que existam os parques eólicos e solares no norte do país.

Por fim, acreditamos que o país que estamos construindo, este país que deseja ser um líder em nível global no combate às mudanças climáticas, deve fazer isso de mãos dadas com a mineração, porque sem os metais, não seremos capazes de enfrentar as mudanças climáticas, a mobilidade elétrica, as energias limpas, que requerem diversos metais. E, portanto, o Chile precisa assumir essa função tão importante no combate ao aquecimento global e ser, assim, um líder na produção dos elementos para fazer isso. Fazendo tudo isso de forma sustentável.

Quais são os pricipais projetos que foram interrompidos durante a pandemia? Esses projetos podem ser retomados nos próximos anos?

Giorgio de Tomi: Cruzei informações de diversas fontes com os dados que temos na Brasil Mineral. Não encontrei nenhum projeto que tenha sido necessariamente interrompido devido à pandemia. Por outro lado, a recuperação pós-pandemia está dando perspectiva de aceleração de novos projetos, especialmente expansão em diversos ativos minerais. Vou citar alguns, tanto a substância mineral quanto os projetos associados. No caso do ferro, temos grandes empresas como Vale, CSN, Vallourec, etc., que investem fortemente em novos projetos de expansão. Mas também temos empresas de médio porte, como BAMIN, Assan, além de alguns projetos emergentes, como Brasil Iron, Trombador e Colomi Iron. No cobre, outra área que está em grande expansão aqui no Brasil, temos vários novos projetos no grupo Vale, como Salobo 2, Alemão e Cristalino. Além disso, temos outras operadoras como Caraíba, aprofundando na mina pilar, Aerocoop, filmando com o projeto Boa Esperança e Landing, expandindo em chapa. Em manganês, destaca-se a RMB do Brasil, para ampliar a produção e atuar em novos projetos no Pará.Na área de níquel temos alguns novos players, a Horizonte Minerals, junto com a Appian, no projeto Atlantic Nickel que está sendo destaque na mídia e o projeto Onça Puma que tem uma expansão prevista para este ano ou no próximo. No campo do ouro, a produção de minério de ouro, muitos novos projetos e expansões. Vou citar aqui Equinox, Belo Sun, Yamana, Serabi, Aura Minerals, no projeto Almas, Big River Gold, Amarillo Gold, AngloGold Ashanti. Alguns são projetos novos, outros são projetos de expansão. E alguns também são projetos de recuperação de barragens, como parte do programa de remoção de barragens.Outro grupo de substâncias muito importante e estratégico no momento são os elementos terras raras e o lítio. Temos vários novos projetos, Serra Verde, em Minas Sul, Sigma Lithium, AMG Mineração, Mineração Taboca e CBMM. Temos também uma área que está sendo bastante promovida no momento, que é a de fertilizantes com Galvani, Águia Fertilizadores, CMOC, Potássio do Brasil e Mosaic. Vou citar apenas mais duas, que é a parte de vanádio com a Largo Resources, que está em projeto de expansão no chamado Projeto Titânio, e a Cromite, que a Ferbasa vai iniciar um estudo de mina subterrânea em suas operações em Campo Formoso. 

Roque Benavides: No Peru, muitos projetos foram atrasados, não somente devido à pandemia, mas também pela instabilidade política. Nesse sentido, o Peru tem um portfólio de projetos equivalente a 56 bilhões de dólares. Projetos localizados em toda a extensão da Cordilheira dos Andes.  Somos o país com o maior número de projetos de cobre no mundo. É importante ressaltar que o cobre passou a ser o metal do meio ambiente, aquele que tornará possível ampliar as energias alternativas, como a eólica e solar. Ele também nos permitirá ter veículos elétricos, que não emitam gases do efeito estufa. Portanto, com esses 56 bilhões de dólares em projetos, poderíamos facilmente passar a ser o primeiro produtor de cobre do mundo. 

Também gostaria de compartilhar alguns aspectos pouco mencionados: um país como a China, há 20 ou 30 anos, não era um grande produtor de metais. Hoje, a China é o maior produtor de ouro do mundo e o terceiro de cobre. Nos últimos anos, o impulso dado pela mineração à economia chinesa foi extraordinário. Às vezes nos encantamos com esse milagre chinês e não vemos que, em nosso próprio território, no Brasil, Peru, Chile, o quanto fomos abençoados com recursos naturais. Temos o direito e a obrigação de dar a eles o devido valor. Nesse ponto entram as empresas de engenharia, as empresas que fornecem maquinário de última geração, como a Metso Outotec e tantas outras que podem contribuir para que a mineração seja muito mais eficiente.

O Peru está entre os primeiros produtores de ouro, cobre, chumbo e estanho, e temos muito potencial. Somente para gerar uma pequena reflexão, não pretendo ser geólogo, mas todos os pontos conhecidos no Peru têm afloramentos na superfície. Vale a pena conhecer tais afloramentos sobre a terra. Porém, um país com tanta oferta mineral ao longo da Cordilheira também deve ter jazidas profundas, que podem ser descobertas com as novas tecnologias, assim como aconteceu em outros países.

O Peru tem muito potencial. Tenho certeza que a mineração peruana pode contribuir para o desenvolvimento de um país que carece tanto de gerar bem-estar para sua população.

Joaquín Villarino: Felizmente, a mineração não teve projetos interrompidos. Alguns foram desacelerados por falta de pessoal, não podíamos ter as equipes completas. Portanto, durante o período mais crítico da pandemia, trabalhamos com 60% da equipe. Por essa razão, vários projetos foram sendo adiados, mas nunca paralisados.

Os projetos do grupo Antofagasta Minerals, da Codelco, da Tech, da BHB etc. continuaram ocorrendo; alguns a um ritmo um pouco mais lento por conta da pandemia, porém sempre com o compromisso que a indústria tem com o país. Nós aproveitamos e continuamos a aproveitar a situação para melhorar os preços. Ao contrário do que muitos acreditavam, não paralisamos, não tivemos mais contágio que a média nacional, aliás, pelo contrário, pois tivemos menos. Os sistemas de segurança e controle sanitário para evitar o contágio demonstraram a liderança da indústria nesse assunto. Sendo assim, posso dizer que o Chile tem muito potencial, diversos projetos que somam mais de 30 bilhões de dólares. Provavelmente, entre a discussão constitucional e algumas políticas públicas, esses projetos poderão acontecer. Logo, será uma grande oportunidade para aumentar nossa produção de minerais, especialmente cobre. Chegaremos a praticamente 100 milhões de toneladas assim que conseguirmos colocar em prática todos os projetos. Trata-se de um esforço coletivo de políticas públicas, da discussão constitucional e da indústria, fazendo um trabalho mais sustentável, de forma a tranquilizar a população, mostrando que o que está sendo feito não está destruindo o meio ambiente, mas sim cuidando dele. Além de que, o que está sendo feito visa contribuir para o desenvolvimento econômico do país e também para o desenvolvimento social, visando dar melhor qualidade de vida a muitos chilenos.

Qual a sua expectativa para o desenvolvimento da mineração na América do Sul nos próximos anos?

Giorgio de Tomi: Vou começar fazendo uma referência ao que o Roque Benavides estava falando, a vocação mineral dos nossos países. Temos uma vocação mineral muito forte e temos que aproveitar essa vocação para dinamizar a economia dos nossos países. Portanto, vejo dois vetores para aproveitar a vocação mineral. O crescimento dos minerais relacionados às baterias elétricas e a questão da descarbonização, que além do cobre, inclui níquel, elementos de terras raras, grupo da platina, lítio, grafite, manganês e outros. Com esses minerais, a previsão de demanda para os próximos anos é exponencial. Hoje, e nos próximos 12 meses, temos que colocar muita ênfase no desenvolvimento de novos projetos, na ampliação de recursos, trabalhando com grande foco nessas substâncias minerais. São duas áreas que devem ser apoiadas: a tecnologia de mineração, todas aquelas tecnologias de fornecedores de equipamentos que podem fazer a diferença na produtividade dessas minas e a abertura de horizontes para outras médias e pequenas empresas. Porque eles têm mais agilidade e podem ajudar muito a desenvolver esse setor. 

Agora, há uma peculiaridade no Brasil relacionada a esse ponto sobre a qual é importante chamar a atenção: a política pública que está sendo implementada para tributar títulos mineiros, para financiar a mineração. Este é um importante marco de mudança no Brasil, que permitirá a diversas empresas que hoje têm dificuldades de acesso ao capital utilizar direitos minerários para acessar fontes de financiamento e desenvolver seus recursos e reservas no curtíssimo prazo. Acredito que este seja um avanço importante na política pública para o setor de mineração aqui no Brasil, promovida pelas entidades do setor, a Agência Nacional de Mineração e os esforços do IBRAM.

Roque Benavides: Gostaria de começar dizendo que também sou professor do Mestrado em Gestão de Mineração na Universidade Nacional de Engenharia, no Peru. Tenho um compromisso muito forte com a Educação, em especial a pública no Peru.

No Peru, há 19 Escolas de Engenharia de Mineração. Há muitas universidades que ensinam geologia, metalurgia. O país conta com uma tradição de mineração e o talento desses jovens precisa ser potencializado. Nesse sentido, os projetos de mineração contam com esse toque humano e profissional dado por essas escolas.

Acredito que teremos a possibilidade de desenvolver muitos desses projetos com esse talento. Mas, além disso, entre o Peru e o Chile, pois somos vizinhos, produzimos 40% do cobre usado no mundo. Pouco desse cobre é industrializado. Eu acredito, a longo prazo, na complementação entre Peru e Chile, podendo atrair as indústrias de cobre para virem e consumirem o cobre do nosso país, desenvolvendo essas indústrias tão necessárias e também postos de trabalho em nossos países: Chile, Peru, talvez integrando o Brasil.

Acredito que essa seria uma demonstração de como a indústria da mineração liga-se a outros setores produtivos. Primeiramente com a educação, dando oportunidades aos jovens, mas também com a industrialização do metal produzido em nossos países.

Tenho certeza que nos próximos 12 meses, e também em longo prazo, teremos muito que conversar sobre esses metais, que são cada vez mais produzidos e consumidos no mundo. Ao menos no Peru, parece haver a crença de que produzir metais é algo a ser melhorado. Pois bem, podemos produzir, industrializar os metais e gerar as riquezas que são tão necessárias para trazer bem-estar ao nosso povo.

Joaquín Villarino: A economia mundial está demonstrando um equilíbrio na demanda por minerais, por commodities, e o cobre não é exceção. Isso se traduz no preço. Como dizemos, não devemos girar a roda da Fortuna, mas tudo indica que teremos um bom preço. E essa é uma excelente notícia para a economia nacional e para o fisco chileno, que receberá mais recursos do que era previsto há 1 ano, além de ser uma boa notícia para o setor da mineração.

Portanto, há boas expectativas no mercado e nos preços de forma geral. Não sabemos quanto tempo isso vai durar, porém, no momento, está assim. Há bons recursos e bom capital humano no país, podendo ser desenvolvido. Logo, é preciso fazer tudo de forma correta para que os projetos se tornem uma realidade e, portanto, que sejam gerados mais empregos, haja maior arrecadação de recursos para desenvolver uma política social imposta pela pandemia e que, provavelmente, levará a diversos direitos sociais, que hoje são uma demanda da nossa população.

Portanto, abre-se uma oportunidade para que a indústria da mineração continue sendo uma das locomotivas para o desenvolvimento e crescimento do país.

Essas entrevistas fizeram parte dos painéis do Fórum Sul-Americano Metso Outotec que reuniu esses e outros importantes profissionais da mineração do Brasil, Chile e Peru. Encerrando as entrevistas, Cristian comenta que não há dúvidas de que estamos vivenciando uma mudança cultural no setor, no qual todos somos responsáveis por assumir um protagonismo e impulsionar essa mudança tão importante. Esse é um ponto crucial para o desenvolvimento da mineração.

 

O vídeo da gravação do painel pode ser visto aqui em nosso canal do YouTube: Fórum Sul-americano Quais os maiores desafios para a mineração nos próximos 12 meses? - YouTube

Painel sobre o maiores desafios para a mineração nos próximos 12 meses durante o Fórum Sul-americano Metso Outotec. Francisco Alves, Diretor editor da Revista Brasil Mineral.
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